Vídeo e matéria do jornal Correio popular sobre a Marcha das Vadias de Campinas 2014. 

Marcha das Vadias pede descriminalização do aborto.

Marcha das Vadias RJ 2014.

MANIFESTO DA MARCHA DAS VADIAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

A Marcha das Vadias do Rio é organizada por feministas autônomxs que lutam contra a violência sexual e de gênero e a favor da autonomia dos corpos. Somos chamadas de “vadias” nos espaços em que circulamos porque vivemos numa sociedade machista, racista e centrada na heterossexualidade, que quer controlar os nossos corpos. O Ministério da Justiça divulgou no fim de 2013 que 50 mil mulheres são estupradas por ano no Brasil! Uma pesquisa recente do IPEA mostrou que 26% dxs brasileirxs concordam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas! Marchamos pelo fim da violência sexual contra as mulheres e contra a culpabilização das vítimas!

Somos chamadas de vadias quando usamos roupas curtas e também quando usamos roupas compridas, somos chamadas de vadias quando andamos pelas ruas de noite e quando andamos pela rua de dia, somos chamadas de vadias quando denunciamos o estupro e nos culpam pela violência que sofremos, somos chamadas de vadias quando denunciamos o assédio sexual no transporte público e a violência dentro de casa, somos chamadas de vadias quando dizemos “NÃO”, somos chamadas de vadias quando dizemos “sim” ao prazer, somos chamadas de vadias quando “ousamos” fazer escolhas de forma autônoma. Somos chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES. Marchamos para dizer NÂO ao controle da nossa sexualidade e para dizer NÂO ao eterno julgamento e depreciação do feminino! Sabendo que o termo “vadia” tem significados diversos para corpos diferentes, ressignificamos “vadia” como símbolo de nossa luta por liberdade para experimentar nossos corpos e afetos da maneira que desejarmos. Não queremos ser respeitáveis, exigimos ser respeitadas! Se ser livre é ser vadia, então somos todas vadias!

Fazemos parte da construção de um mundo livre de violência para todas as mulheres (cis e trans*), um mundo onde nenhuma vítima seja culpabilizada, onde não haja vítimas. Combatemos todas as formas de opressão: machismo, racismo, lesbofobia, transfobia, bifobia, exclusão das pessoas com deficiência (ou capacitismo), violência de classe e outras. Nossos princípios são liberdade, horizontalidade e autonomia.

Em 2014, a Marcha das Vadias ocupa as ruas, as esquinas, os bares e os becos da cidade do Rio de Janeiro pelas seguintes razões:

1) Com os grandes eventos sediados no país e na cidade, a desigualdade, a exclusão e a violência contra a população são agravadas. Diante disso:

a. Denunciamos o racismo que mulheres negras sofrem ao serem vistas como objeto de consumo, facilitando a exploração sexual. Exigimos que as mulheres negras sejam vistas como seres humanos e não como “pontos turísticos”. É urgente que se reconheçam as diferentes vozes e lugares ocupados pelas mulheres negras na sociedade!

b. Denunciamos que as mulheres que moram em favelas e periferias são profundamente atingidas por várias formas de violência: são arrancadas das suas casas e de suas raízes, têm filhxs e companheirxs assassinadxs pela polícia, são violentadas pelos agentes de “segurança”. Nunca esqueceremos o assassinato brutal de mulheres, como o de Cláudia da Silva Ferreira. Destacamos também a enorme força com que as mulheres NÃO PACIFICADAS defendem suas causas, organizando-se e exigindo direitos.

c. Repudiamos o projeto de cidade que marginaliza e criminaliza a prostituição. No caso da remoção forçada do prédio da Caixa Econômica, do centro de Niterói, vimos como mulheres trabalhadoras foram expulsas dos seus locais de moradia e trabalho, estupradas e roubadas, em uma ação ilegal do Estado. Novamente, como Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, lembramos que a prostituição nunca foi ilegal no Brasil e reafirmamos a necessidade da sua regulamentação, reivindicação do movimento de prostitutas. Exigimos que a cidadania seja garantida já!

d. Sublinhamos a alarmante violência transfóbica persistente na nossa sociedade, que retira o direito à cidade dos corpos que fogem ao padrão de gênero estabelecido. Afirmamos nosso compromisso com os direitos das pessoas a se identificarem com o gênero que quiserem, inclusive nenhum. Basta de invisibilidade! Basta de violência! Basta de ódio e transfobia!

e. Denunciamos o assédio, as agressões, os estupros “corretivos” e outros tipos de violência sofridos por lésbicas e mulheres bissexuais em todos os espaços, tanto públicos quanto privados. Por isso, rompemos o silêncio, destacando que esta violência é invisível aos olhos da sociedade e das suas instituições. Exigimos liberdade e segurança para que lésbicas e mulheres bissexuais possam expressar seu afeto em todo e qualquer lugar!

2) Denunciamos a manutenção de atitudes machistas e misóginas (atos que representam ódio à condição feminina) nos movimentos sociais de esquerda: assédio moral e sexual, silenciamento das vozes das mulheres, divisão sexual de tarefas. Que as pautas feministas sejam incorporadas e PRIORIZADAS na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

3) Reivindicamos a garantia dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos. Exigimos a não interferência das religiões nas políticas públicas e na legislação. Mais uma vez, exigimos o direito aos nossos corpos. Repudiamos os retrocessos em relação ao aborto no Brasil, como a revogação da portaria 415/2014 do Ministério da Saúde, que reafirmava e regulamentava os princípios de humanização, qualidade e segurança do atendimento aos casos de aborto legal no SUS.

Demandamos a ampliação do acesso e a boa qualidade dos serviços de saúde integral para as mulheres e pessoas gestantes, incluindo acesso a informação e métodos de qualidade sobre contracepção e planejamento familiar. Da mesma forma que nenhuma mulher deve ser obrigada a ser mãe, aquelas que fazem esta escolha devem ter a autonomia de seus corpos respeitada, inclusive para decidir as condições em que desejam gestar e parir. Exigimos aborto legal, seguro, raro e gratuito, assim como partos seguros e sem violência física e psicológica. Nossos corpos, nossas regras.

A cor da pele não pode ser motivo de estupro!! O local de moradia não pode ser motivo de estupro!! A profissão não pode ser motivo de estupro!! A identidade de gênero não pode ser motivo de estupro!! A orientação sexual não pode ser motivo de estupro!! NADA PODE SER MOTIVO DE ESTUPRO!!!”

Marcha das Vadias do RJ 2014.

A Marcha das Vadias, evento de luta pelos direitos da mulher, reuniu na orla de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, cerca de 800 pessoas. As(os) manifestantes seguravam cartazes com palavras de ordem contra a violência sexual e de gênero e em defesa de direitos como ao parto humanizado, o aborto e garantias legais de igualdade. Apesar de uma forte repressão por parte da PMERJ, que a toda hora tentava empurrar as ativistas para a calçada e chegou até a forçar para tomar a faixa de abertura das ativistas, a manifestação cumpriu todo seu percurso e iluminou a orla de Copacabana com reivindicações pelo fim da opressão às mulheres e minorias.

Às vésperas da Marcha das Vadias, o Dois Pontos discute o feminismo e o papel da mulher no Brasil. Nossos entrevistados explicam o que é o feminismo, o papel da mulher, quais são os desafios, ainda, enfrentados por elas, a cultura do estupro, e porque mesmo com a lei Maria da Penha, uma mulher é espancada a cada 15 segundos no Brasil.

Marcha das Vadias - Rio de Janeiro 2013.

Realização audiovisual: Coletivo de Comunicação Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).

(Fonte: vimeo.com)

Bloco ‘Meu cu é laico’ na Marcha das Vadias do Rio de Janeiro 2013.

(Fonte: youtube.com)

"Igualdade para todos! Não acredito que ainda estamos lutando por isso!

Foto de Julio Cesar Guimarães/UOL. Link original.